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Kannário volta à cena que o consagrou como fenômeno e apresenta ‘versão domesticada’




“Se Deus é por nós, quem será contra nós?”. Essa foi a primeira frase do ‘Príncipe do Gueto’ quando subiu no trio vestido de branco com o peito tatuado, à mostra, escrito de ‘favela’.
Dèjà vu. Esse deve ter sido o sentimento de quem presenciou a pipoca de Igor Kannário na segunda-feira de Carnaval de 2015 e estava na avenida hoje também. Mais uma vez, a pipoca do Kannário se sobressaiu às demais e protagonizou um momento ímpar na folia momesca.
E pra quem ainda não entendeu, explico: é o fenômeno Kannário. A expressão da cultura popular e vontade do povo.
A favela desceu em peso pra saudar o ídolo. Fãs do cantor desde o início da carreira, Milena e Luana, do bairro São Caetano, falaram da fama de ‘pipoca perigosa’. “Nós não somos violentos. Isso é tudo invenção. Somos da paz e só queremos nos divertir”, disseram, em coro.
A rua foi tomada pela energia kannariana exaltada pela fidelidade e euforia dos fãs, que quando já não cabiam na avenida e nas ruas transversais, transbordavam em cima de árvores e das estruturas metálicas dos postes.


A deficiência visual do fã argentino Otaviano González não o impediu de ir a rua reverenciar o músico que idolatra. “O que mais me encanta em Igor é que ele fala o que muitas corporações e oligarquias de Salvador querem esconder, como a perseguição ao povo pobre, à comunidade e o abuso da polícia”, afirmou.
Quando o trio de Kannário deu a largada no circuito, chamou a atenção de toda a Avenida. O ‘trá’ da Metralhadora da banda Vingadora – no trio logo à frente – foi prontamente abafado pelo show do Príncipe do Gueto e pela força que emanava do seu público.
O circuito Osmar foi tomado pelas vozes eufóricas dos fãs. “Sou Kannariano…Sou Kannariano…”. E o refrão escova-se por toda a Avenida.


Polêmica
Apesar de ser conhecido como polêmico, Igor Kannário estava mais manso. Quando via uma briga, parava o trio e pedia para o público curtir na paz. “Vamos mostrar que somos educados. Vamos nos respeitar. Pular pode, cantar pode, ficar nu pode, mas brigar não, hein?”, dizia.
O bafafá dessa vez ficou ao encargo da esposa do Príncipe, Maria Quitéria. “Se a música da Metralhadora fosse do meu marido, todos iam cair em cima dele dizendo que era apologia à violência”, desabafou.
“Esse ano ele foi impedido de cantar no bloco infantil ‘Ibeji’ porque o Ministério Público alegou que ele era usuário de drogas e incitava a violência. Mas depois que passar o Carnaval vai ser uma briga boa nossa na justiça; contratamos até um advogado novo”, disse.
Jabá
O único momento em que o músico abriu mão do seu novo jeito pacato foi quando falou sobre sua música de trabalho ‘Depois de nós, é nós de novo’. “Se esse ano minha música não ganhar, eu paro de cantar nessa porra”, gritou.
“Essas músicas que estão no auge agora são porque os empresários fazem jabá, jabá e jabá. Mas a minha música não. A minha música vem do povo”, bradou.
A expressão se refere a uma suposta prática de pagamento de suborno para que emissoras de rádio e televisão executem a música de um artista nos veículos de comunicação.


 príncipe da porra toda”, gritou para o aglomerado de pessoas nos camarotes.
E a saga do fenômeno Kannario não nos decepciona e se destaca no Carnaval de Salvador pelo segundo ano consecutivo.
Sim, deu ‘nós de novo’.
Veja vídeo da pipoca do Kannario na Avenida nesta segunda-feira:

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